segunda-feira, 18 de abril de 2011

o enterro, e a mentira.

Então finalmente eu te digo adeus..

Mas eu não vou pra longe, eu não poderia, eu não desejaria.

Estar longe é mais fácil, mas nós dois sabemos que eu nunca escolhi o fácil.

Eu escolhi seu sorriso, sua raiva sua indecisão e sua decisão de não.

Eu tive medo de estar parado para sempre, eu tive medo de estar congelado, mas eu nunca estive tão aceso.

Eu sinto que a vida me deve um caminhão de coisas, e que eu sou ruim o suficiente pra despejar de volta um dia.

Um cigarro não é mais uma fuga, uma garrafa não faz a dor passar, não tem mais dor.

Das coisas ruins que eu senti, e sinto, eu sinto que nenhuma deve receber mais de um segundo de atenção.

Eu não tenho memorias boas, mas não são ruins, são reconfortantes, por mais que seja frustrante, eu sou o mesmo envergonhado, problemático, perdido que você conheceu.

A diferença agora é que eu não consigo mais ficar calado eu tenho que dizer certas coisas, eu não tenho nada a ganhar, nem a perder.

Sempre tive medo do que iria acontecer, medo de perder você por não ser perfeito, por ser perfeito de mais, por não ter limites, por ter limites de mais.

Mas no fim, não se perde o que não é para ser seu, e por mais que você odeie quando eu falo isso, e eu odeio dizer: nós já sabíamos.

Eu não ligo mais pra muita coisa se eu não tinha coração antes agora eu sei que tenho, mas não quero de volta, fique ai com ele largue em um canto, jogue fora, eu não ligo.

A gente bateu de frente tantas vezes, armados até os dentes um contra o outro, que acabou a munição e eu parei de querer te matar.

Você me pediu pra te matar tantas vezes, e eu deixei você inteira, você sempre tinha que estar intacta.

E me recarreguei, me armei até os dentes olhei pro espelho e destruí minha imagem, minha vida, quando só sobrou poeira eu me rendi.

Eu não ando mais armado, e você não suportaria morrer agora não é mesmo?

A gente mudou tanto, a gente pensou tanto, e não fez nada.

Meu sorriso sínico, a acidez nos meus comentários, tudo que você julgou disfarce.

Meu ego, meu orgulho, tudo isso.

Tudo isso esta aqui, nada morre não é mesmo?

Então eu procuro entender, eu te enterrei muito fundo.

Eu joguei tudo numa cova, e enterrei.

Mas nem por isso eu deixo de visitar religiosamente esse tumulo.

E todo dia eu trago um punhado de terra.

Como quem brinca passando o dedo na chama para arder, ou quem olha por uma fechadura obscura, eu brinco de ser assim.

Distante, próximo, independente, carente.

Eu brinco com o que sinto.

E minto quando brinco.

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